quinta-feira, dezembro 15, 2005

NÃO TEMOS PARTIDOS E, SIM SIGLAS EM BUSCA DE MENSALÕES

Partidos e pensamento único

POR: IPOJUCA PONTES

O político César Maia, prefeito do Rio de Janeiro e candidato oficial do PFL à Presidência da República, disse que abrirá mão de suas pretensões eleitorais caso José Serra, o insosso prefeito de São Paulo, venha ser indicado pelo PSDB para concorrer ao cargo de primeiro mandatário da nação. Depois de um almoço cujo prato principal foi a problemática disputa da sucessão presidencial no próximo ano, o prefeito do Rio, quem sabe jogando para ser o Vice da chapa do prefeito de São Paulo, afirmou peremptório: “Eu disse oficialmente ao meu partido: não seria candidato contra o Serra em hipótese alguma”.

Um dos motivos levantados por César Maia para desistir da própria candidatura em fav or da candidatura Serra pode ser considerado, no mínimo, constrangedor: “Ele me arranjou em 1968 uma vaga na escola de economia assim que cheguei ao Chile”. Para completar, ao que tudo indica procurando obscurecer as pretensões de outro pré-candidato tucano, o governador paulista Geraldo Alckmin, Maia fez um “comercial” na defesa do antigo padrinho chileno: “Com a candidatura Serra, o PFL caminharia para se somar. O Serra era há algum tempo personagem difícil no PFL. Hoje não é mais”.

O fato histórico concreto é o seguinte: depois da derrubada do governo João Goulart pelos militares, em 64, o Chile do comunista Salvador Allende se transformou no paraíso (ou purgatório) das esquerdas empenhadas em transformar o subcontinente numa vasta União das Repúblicas Socialistas Sul-Americanas. À época, toda a entourage nativa que se servia do incompetente Jango para comunistizar o País, fez de Santiago o desaguadouro natural de suas elucubrações revolucionárias. José Serra, ex-presidente da UNE e dirigente da AP (de orientação marxista-leninista), estava entre os exilados, assimilando os ensinamentos econômicos do cepalino Raul Prebisch, o feiticeiro do fracassado modelo “estruturalista”, cujo receituário girava na ocasião, em torno da industrialização substitutiva das importações, a ser tocada pela burocracia estatal a partir do que se tinha por “planejamento integral”. (Nota: quem tirou o Chile do esgoto foram os “Chicago-boys” da Escola de Chicago, seguidores das teses monetaristas de Milton Friedman, o defensor do liberalismo e Prêmio Nobel de Economia).

Veja-se a quantas andamos na terra do companheiro Lula, a águia cabocla que industrializou como ninguém o “espetáculo da corrupção”: um partido tido como liberal, o PFL, considerado pelas esquerdas como de “direita”, que no mínimo deveria estar preocupado em demonstrar aos eleitores que a saída para o País é a diminuição do tamanho do Estado com a imediata privatização das empresas estatais, seguida da radical flexibilização das leis trabalhistas e da redução da carga tributária, etc. etc. – este PFL apresenta como candidato à Presidência da República um provável cultor do intervencionismo estatal como regra para fomentar o desenvolvimento e, pior ainda, tem no referido candidato o arauto definitivo do opositor José Serra, um marxista disfarçado de social-democrata, a social democracia, por sua vez, uma fábrica de fumaça para se chegar ao comunismo totalitário pelos rigores do fisco. Que pais!

Por conta de tal pândega, andei folheando os pontos programáticos que os principais partidos políticos apresentam ao povo brasileiro antes das eleições. É de fazer chorar: o PMDB, por exemplo, tocado pelas luzes do trêfego Carlos Lessa, tem como proposta básica “pactuar a estabilidade dos preços” e “controlar a entrada e saída dos capitais”. O dito PSDB, que copia pontualmente os itens programáticos da estagnada social-democracia européia (em particular, da francesa), propala a intervenção do governo para estabelecer a “estabilidade monetária”, a partir da manutenção do “cambio flutuante”, para determinar, “com o alongamento dos prazos, uma queda mais ousada nas taxas de juros”. Pura falácia intervencionista!

O mais direto de todos na apresentação de um programa dogmático de nítida inspiração leno-estalinista é o PSOL, o partido composto pela ala dissidente do PT depois do “estelionato eleitoral”. Guiado pelo mais puro espírito revolucionário radical, o acintoso PSOL – “partido do Socialismo e liberdade” – propõe, entre outras preciosidades, para que a nação atinja o Nirvana, a “imediata reestatização das empresas privatizadas”, a “reforma agrária radical” com a expropriação de terras “sejam elas produtivas ou não” e, de forma inflexível, propugna, de olho na grana da patuléia ignara, por uma “reforma tributária para aumentar a progressividade dos impostos”- coisa de deixar Mao, Pol Pot, Fidel, Chávez, FHC (pródigo financiador do MST e tributador-mor), Serra, Garotinho e o próprio César Maia, de água na boca.

Por mais incrível que pareça, o programa do dito PFL – Partido da Frente Liberal – é o que apresenta propostas mais palatáveis, sem abrir mão, pelo que se deduz, de acreditar na “influência” do Estado. O partido se compromete a “implantar o Programa Simplifica Brasil, para reduzir a burocracia, os custos e a informalidade” e, de quebra, promete “aumentar a abertura econômica, reduzindo unilateral e gradualmente as tarifas de importação”.

O PT, a organização responsável pelo amaldiçoado “estelionato eleitoral” e a maior fraude pública dos anais da história da nação, quer agora, ainda uma vez, “estabelecer processo de financiamento do crescimento para gerar mais empregos” e “aumentar o investimento em infra-estrutura, com foco em saneamento e habitação” – mas quem diabo vai acreditar hoje em dia no que o PT diz ou promete?

Ou melhor: quem diabo vai acreditar nos desacreditados partidos políticos brasileiros, sempre ávidos de poder, privilégios e patacoadas?

Só o mais perfeito idiota.

1 Comments:

Blogger Camarada Arcanjo said...

Necessária a fundação de um partido político novo dissociado desta classe poítica que a tudo corrompe e a todos ofende.

11:58 AM  

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