sábado, dezembro 17, 2005

A MORALIDADE E OS BONS COSTUMES ESTÃO ACABANDO!

O afrouxamento dos costumes
por Mário Ivan Araújo Bezerra

No dia oito de dezembro, o Governo Federal e boa parte da sociedade brasileira resolveram unilateralmente fazer feriado, ao arrepio da Lei que regula o assunto. O noticiário da semana passada deu conta de que o Tesouro vai liberar 2,8 bilhões de reais, aí incluído o “dinheiro dos parlamentares”. A todo momento, notícias como essas são estampadas sem acanhamento nos jornais, sem qualquer conseqüência que não o ônus para os cofres públicos e para nosso conceito perante as demais nações. Nossa História recente é pródiga em exemplos dessa natureza.

É preocupante a tendência que se observa atualmente, no sentido de abrandar os costumes, de distorcer as regras, de sempre dar um jeitinho para que tudo saia como queremos, como nos convém. Mas não é assim que um país logra ser incluído no rol dos integrantes do primeiro mundo, como, com toda razão, anseia o povo brasileiro.

Nos tempos atuais, a mentira é considerada uma legítima arma de defesa de quem transgride as regras da sociedade.

O governo aumenta impostos e a fiscalização persegue implacavelmente os sonegadores... mas tolera paternalisticamente o caixa 2 dos amigos, crime fiscal que, por meio de um truque, foi matreiramente transformado em simples esperteza.

Por outro lado, ao político ameaçado de cassação é permitida a renúncia com retorno na próxima eleição. Quando o parlamentar perde o mandato, nunca, com raras exceções, fala-se em devolução do dinheiro e em processo criminal.

Seremos eternamente o país das leis que “pegam” e das que “não pegam”? Quando nos disporemos a realmente cumprir a Lei? Quando, em todo o território nacional, os motoristas respeitarão a preferência dos pedestres, conforme prescreve o Código de Trânsito Brasileiro?

Agora mesmo estão discutindo se haverá ou não mais uma convocação extraordinária do Congresso, às custas do bolso do contribuinte. Todos já sabemos a conclusão a que se vai chegar.

Ninguém se admira pelo fato de o congressista receber jetom mesmo que falte à sessão, quando é por demais sabido que essa gratificação foi instituída justamente para incentivar o comparecimento ao trabalho. Trabalhadores em greve continuam a perceber salários às custas da entidade patronal, como se estivessem comparecendo diariamente ao trabalho.

E isso tudo sem falar que nosso estudante tem menos de cento e sessenta dias de aula por ano. E os incontáveis “recessos”? Há o “recesso” de Natal, o do Ano Novo, etc., etc.

Enquanto isso, o país perde o bonde da História: as taxas de crescimento econômico são pífias numa época em que o mundo dispara; o analfabetismo mantém-se teimosamente elevado, em que pese nosso excelente plantel de educadores e a distribuição de renda permanece uma vergonha nacional. É mais uma oportunidade jogada fora.

Num mundo assim, quem, por costume ou educação, cumpre as regras fica em enorme desvantagem. E, como disse Rui Barbosa, “chega a desanimar-se da virtude, a rir da honra, a ter vergonha de ser honesto”.

Nos Estados Unidos, país odiado pela esquerda, trabalha-se muito: lá só existem dez feriados durante o ano. (Aqui, temos também os dias “imprensados”). Lá, como na Europa, as pessoas cumprem horário, não chegam atrasadas às reuniões. Declaram honestamente sua renda. Lá, mentir é falta grave. E quem transgride a Lei é punido. Que o diga Al Capone.

Numa época em que tanto se fala em reformas e em que os partidos se preparam para os embates da próxima eleição, seria bastante oportuno que a classe política pensasse seriamente no assunto e tornasse públicas suas posições, para que o eleitor pudesse se definir conscientemente.

Para ser considerado país do primeiro mundo, para pertencer ao Conselho de Segurança da ONU, é necessário bem mais do que querer. É preciso, antes de mais nada, ser sério e respeitado. E o exemplo, indubitavelmente, deve partir do Governo, aqui incluídos os três poderes. É bom lembrar disso nas próximas eleições.

6 Comments:

Blogger S0MBR4 said...

Vamos comprar o partido então!rs

Que bom que seu blog voltou a ficar operacional!!! Descobriu o que se passava com todos aqueles ataques?

12:13 AM  
Blogger Nino said...

Menina Blood,
Você como sempre arrazando hein!
Grato pelas palavras de carinho.
E saibas que és especial.
Querida, esse governicho mórreu e o defunto ainda não encontrou seu caixão.
Tá meio zumbi ainda.
Mas cravaremos uma estaca de madeira bem no meio do peito dele em outro de 2006 se essa oposição complacente ( parece hímen isso ) não tomar vergonha na cara e entrar com pedido de impeachment.
Morrerá, sem ter nascido.

Bjs
Nino
PS.: Se puder, ao entrar lá no blog, entre em contato pelo e-mail pois quero te falar algo.

1:12 AM  
Anonymous Marcos said...

Bloody Mary

Os políticos que estão no Congresso, nos Executivos e nas casa legislativas, são, claro, o ESPELHO de uma sociedade formada por uma maioria que se preocupa com cerveja, novela das 8, futebol, samba e carnaval (não necessariamente nesta ordem).
Não tenho a mínima esperança em relação ao nosso país.
Um povo que adora afirmar que "NÃO DISCUTO POLÍTICA", merece ter essa laia de políticos.
Um povo que não se indigna com os roubos constantes, merece mensalão e outras coisas.
Um povo que adora o "jeitinho" jamais estará ao lado dos povos das grandes nações.
Beijo do seu fã, hoje e sempre.
Marcos

7:05 AM  
Anonymous Stella said...

esse governo é que não tem moral!

1:19 AM  
Blogger Lata Mágica said...

Bloody, preparamos um post especial de Natal.Agradecemos a força que deu!!Feliz Natal.

5:42 PM  
Anonymous N. Cotrim said...

A esperança é a última que morre. Vamos acreditar nas eleições e tentar não desperdiçar o nosso voto.
Abraços e obrigado pela visita.

8:30 PM  

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