sexta-feira, novembro 11, 2005

QUE VEXAME....

Congresso aprova prorrogação da CPI dos Correios por 120
dias; governo, que chegou a se julgar vitorioso, apela a Renan
para virar o placar na base do “tapetão”, mas perde de novo;
decisão já foi encaminhada para publicação no Diário Oficial


*
PFL e PSDB comemoram derrota histórica do Planalto, que
queria evitar avanço de investigações em estatais e fundos de
pensão em ano eleitoral; não bastasse, fica desmoralizada a
promessa de Lula de que não atrapalharia trabalho de CPIs


*
IstoÉ Dinheiro: Pizzolato diz que operação Visanet-BB foi
feita a mando de Gushiken; outra reportagem informa que
Palocci recebeu R$ 1 mi de bingos e revela ligações entre a
empresa de Ribeirão Preto Leão Leão e... a Visanet, claro


*
Com ministro da Fazenda na berlinda, Levy sai do governo


Uma vitória do governo anunciada à meia-noite de quinta-feira — e que chegou a ir para a primeira página dos principais jornais do país — virou uma derrota à luz do dia desta sexta-feira. O anúncio de que o Planalto havia conseguido retirar um número suficiente de assinaturas do requerimento de prorrogação dos trabalhos da CPI dos Correios foi por água abaixo, depois da recontagem promovida pela Mesa do Senado na manhã seguinte. Para que a CPI continuasse a investigar até 11 de abril de 2006 — ou 10 de junho se houver recesso de 60 dias —, eram necessárias assinaturas de 171 deputados e 27 senadores. O secretário-geral da Mesa do Senado, Raimundo Carreiro, depois da recontagem, forneceu o seguinte resultado: 171 assinaturas de deputados e 35 de senadores confirmadas, 66 assinaturas retiradas, 30 assinaturas repetidas e uma ilegível, além de quatro que não que conferiam. O resultado foi contestado pelos governistas, que não contentes com o vexame, passaram a investir na lambança. Eles foram se queixar ao presidente do Congresso, Renan Calheiros, como apelos para que houve uma terceira contagem. Como argumento, apresentaram pelo menos três casos de deputados que haviam aderido e, depois, teriam pedido para tirar seus nomes, sem ser atendidos. Ocorre que a oposição protocolou depois a adesão dos nomes deles à prorrogação. Valeu o último desejo registrado. Em resumo, a oposição manobrou melhor e de acordo com o regimento.


DERROTA DOS DESgoverno— A derrota do governo pode ser considerada histórica. Ter uma CPI trabalhando em pleno ano eleitoral já seria desastre suficiente, mas há agravantes. O Planalto, segundo a oposição, queria evitar a todo custo que o trabalho de auditorias pedidas pela CPI dos Correios em estatais e fundos de pensão, que estão só no começo, fossem adiante. Por fim, o inútil esforço para virar votos simplesmente desmoralizou as repetidas promessas do presidente Lula de não criar embaraços para as investigações.


REVISTA ISTOÉ DINHEIRO, DETA SEMANA — A revista IstoÉ Dinheiro,traz entrevista com,o ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato. Ele detalha o esquema BB-Visanet, pelo qual a empresa DNA, do empresário Marcos Valério, recebeu R$ 58,3 milhões antecipados do banco. Pizzolato diz que foi Luiz Gushiken, quando era ministro da Secretaria de Comunicação e Gestão Estratégica, quem mandou fechar o negócio. A revista também traz reportagem que conta como o Palocci, teria recebido R$ 1 milhão de empresários do bingo em troca da legalização das casas de jogos. E ainda quem é o famoso “Bill”, que aparece várias vezes conversando com o ex-assessor de Palocci, Rogério Buratti, nas escutas legais feitas pela polícia. “Bill” se chama, na verdade, Jorge Yazigi. Ele foi diretor da empresa Leão Leão de Ribeirão Preto — que supostamente pagaria um “mensalinho” a Palocci. Antes da eleição de Lula, passou a ser um dos vice-presidentes da Visanet.

LEVY — O secretário do Tesouro, Joaquim Levy, deixará o governo Lula para assumir a gerência de Planejamento Estratégico do Banco Interamericano de Desenvolvimento, em Washington, no dia 1º de dezembro. A nomeação dele foi anunciada em videoconferência pelo novo presidente do BID, o colombiano Luis Alberto Moreno. Segundo fontes do mercado financeiro, Levy negociou uma saída “honrosa” do governo Lula. “Ninguém vai para o BID porque quer. Levy percebeu que está sendo empurrado contra a parede: seu chefe [o ministro da Fazenda, Antonio Palocci], se não está em estado terminal, está na mesma situação do José Dirceu depois do aparecimento do Waldomiro”

0 Comments:

Postar um comentário

Links to this post:

Criar um link

<< Home