sábado, outubro 22, 2005

PT X PSDB: É BOM PARA O BRASIL - REVISTA VEJA

Brasil
Uma briga boa
Guerra entre petistas e tucanos
no Congresso aprofunda a faxina
Na quarta-feira passada, quando o tesoureiro Cláudio Mourão se sentou à mesa da CPI dos Correios para depor sobre o caixa dois do PSDB em Minas Gerais, ruiu um acordo tácito selado entre petistas e oposicionistas. Até então, os dois lados vinham mantendo em pé um dique de contenção da crise: os petistas não aprofundariam as investigações sobre o valerioduto mineiro, que começou em 1998, na campanha de Eduardo Azeredo para o governo estadual, e os tucanos, em retribuição à gentileza petista, não tocariam nos pontos mais sensíveis das acusações. Nos termos desse acordão, não se investigou o sucesso financeiro do filho do presidente, o biólogo Fábio Luís Lula da Silva, cuja empresa recebeu aporte de 5 milhões de reais da Telemar, nem se avançou diante da denúncia de que o ministro Antonio Palocci, quando prefeito de Ribeirão Preto, transferia 50.000 reais mensais de uma empresa de lixo para os cofres do PT.
Agora, porém, as coisas mudaram. A boa notícia é que, quanto mais petistas e tucanos divergirem, maiores as chances de que o país passe por uma verdadeira faxina ética. Na semana passada, por exemplo, com o depoimento de Mourão, soube-se que a campanha de Azeredo custou 20,1 milhões de reais, dos quais mais da metade era dinheiro de caixa dois, o que é crime. Pior: dos 11,6 milhões que circularam ilegalmente na campanha do tucano, 10 milhões saíram das contas do empresário Marcos Valério, o trem pagador do mensalão petista. Com isso, o governo quis evidenciar que Valério e caixa dois não foram invenção de Delúbio Soares, ex-tesoureiro petista. "Foi um erro deles tentar jogar o PSDB no meio do escândalo. Teve caixa dois no nosso partido, sim. Mas isso foi há sete anos. Nessa guerra, o desgaste maior será sempre do governo", disse a VEJA um governador tucano. O troco da oposição já está previsto.
Na semana passada, os tucanos fizeram de tudo para manter a acareação entre Gilberto Carvalho, secretário particular de Lula, e os dois irmãos do prefeito assassinado de Santo André, Celso Daniel. Os irmãos do prefeito afirmam que Carvalho não só conhecia o esquema de corrupção como chegou a confessar que entregou malas de dinheiro arrecadado em Santo André ao ex-ministro José Dirceu. A acareação de Gilberto Carvalho preocupa tanto o governo que o líder na Câmara, Arlindo Chinaglia, prometeu recorrer à Justiça para evitá-la. A oposição pretende ampliar ainda mais sua resposta às investidas oficiais. Planeja aprovar em breve as convocações do primeiro-filho, Fábio Luís, e de um dos irmãos do presidente, Genival Inácio, o Vavá, que abriu um escritório em São Bernardo do Campo para traficar influência no governo, inclusive no próprio Palácio do Planalto. Pouco importa quem será mais prejudicado com o acirramento das investigações. Quem ganha com o desmonte do forno capaz de produzir pizzas em série é o país.
Por que o acordão rachou


• A oposição, que achou que não deveria bombardear Lula até a morte, descobriu agora que o presidente está sobrevivendo à crise e até voltou a recuperar popularidade, tornando-se, ainda agora, um nome forte na sucessão presidencial de 2006
• O PT, supondo que o pior da crise já passou, voltou a dar lição de moral aos outros partidos, retomando a velha arrogância. As principais estrelas petistas passaram a tentar envolver os tucanos nos casos de caixa dois